Matei um cara mentiroso, arrogante, prepotente. Matei um cara egoísta, um cara que vivia reclamando. Matei. Matei um cara nervoso, briguento, marrento. Matei um cara preconceituoso. Matei um cara que não pensava no futuro, um cara que jogava lixo no chão enquanto era ele que deveria sofrer no asfalto. Matei um cara que não ligava para a família, que não ligava para os amigos. Matei um cara problemático, confuso, prolixo. Matei. Matei um cara que se achava a última bolacha do pacote, um cara que se achava o cara mais inteligente do mundo, um cara que se achava. Matei um cara simplista. Matei. Matei um cara que não pensava fora da caixa, pois simplesmente ele não queria. Matei um cara que fazia questão de estar sozinho, de andar sozinho, de correr sozinho. Matei. Matei um cara crítico. Matei um cara falso. Matei um cara ansioso. Matei um cara que só olhava para cima quando tinha problemas. Matei. Matei um cara, que eu via no reflexo todos os dias. Matei. Só para ele nascer novamente.
Fernando Segredo
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